Friday, March 28, 2008

A irmã pequena pediu uma estória
inventada antes de dormir
e pensei em algo que sinto
apenas sabe explicar em metáforas,
que são poesia,
e assim lhe narrei, mais ou menos

do jeito que escrevi aqui,
em fábula prosaica e fantasia:

A Pequena Ostra

As ostras na verdade nascem frágeis, e só aos poucos endurecem a sua superfície para que se iguale à pedra inquebrantável que conhecemos por ser escudeira de pérolas.

Ainda assim, não são impenetráveis. Seres pequeninos, quase imperceptíveis, são capazes de penetrar de fininho seu interior e maltratar a pobre, até quase fazê-la chorar. Todavia, ostras são sábias em seu silêncio milenar:

A cada tentativa externa de lhes causar dano, elas enviam sinais a várias partes de seu manto para que envolvam a substância maligna em seda perolar que imobilize o invasor e lhes possibilite retomar sua serena paz.

Assim, seu incessante trabalho interior, incansável e silencioso, transforma o que poderia facilmente resultar em lágrimas nas mais adoráveis pérolas, reveladas apenas aos que as buscam subservientes e quase tão pacientes e persistentes quanto elas mesmas.

7 comments:

darsh. said...

Que gracinha você.

Quero ser uma ostra.

;*

Flora said...

Que gracinha 2
Aproveitando Chico BUARQUE...
ahuahuauahauhua
Você é a ostra e eu queria ser o vento...
Belíssimo,tão delicado quanto você...

ki-colado said...

Em verdade, qualquer um sente-se nobre quando contata-se com a nobreza. Nobreza de idéias e postura de exposição.

É um bom tema que daria um livro.

Saudações.

andre said...

sortuda mesmo é a sua irmã, que nem precisa de irmão grimm, nem de perrault, nem coisa assim.

Si said...

Geralmente, duro meia-noite. Esse horário está bom para você?

Si said...

Ah! Ficou lindo o blog.

Aline Dias said...

que bonito.
gosto de vc escrevendo em prosa.
mais at� que em verso.